KIDS DIVE – DIA 3

O que é "fazer uma maré"?

Visita a uma área marinha costeira durante a baixa-mar na companhia de cientistas que realizam a sua investigação em Biologia Marinha e/ou Ecologia envolvendo a realização de diferentes actividades:

Pool watching, em que o objetivo é observar as espécies presentes numa poça e perceber de que forma interagem num ambiente restrito ao qual estão confinadas durante o período de baixa-mar;

Utilização de vários tipos técnicas de amostragem de organismos do intertidal (transetos/quadrados de diferentes dimensões), com o objectivo de verificar a presença ou ausência e a abundância de macrofauna e macroalgas, metodologia utilizada regularmente na monitorização e investigação deste tipo de ambientes.

 

Execução: MARE-ISPA; Duração: 3 horas. Preferencialmente esta visita realizar-se-á na Área Marinha Protegida das Avencas - AMPA).

 

Pool watching ou observação de poças de maré

A observação de poças de maré exige alguma paciência e pode revelar um número de habitantes inesperado em espaços tão reduzidos. É frequente numa poça com cerca de 1m2 encontrar várias dezenas de espécies. Entre estas espécies podemos encontrar diversas algas, invertebrados e pequenos peixes que estão bem adaptados a este tipo de ambiente que, com a subida e descida das marés, se transforma em habitat terrestre e marinho duas vezes por dia.

 

Um exemplo de uma poça de maré.
Um dos habitantes mais comuns na costa Portuguesa, um caboz da espécie Lipophrys pholis.

A possibilidade de realizar esta atividade com investigadores que trabalham com este tipo de espécies permite conhecer um pouco mais da história de cada uma dela. Uma das mais abundantes ao longo da costa Portuguesa, o caboz Lipophrys pholis, não só nidifica em ninhos na rocha que ficam fora de água durante a baixa-mar como gosta de regressar aos mesmos ninhos em épocas de reprodução consecutivas.

Nestas sessões de pool watching, dependendo da altura do ano, podem ainda ser avistados ninhos de diversas outras espécies que habitam na zona entre-marés. Alguns destes ninhos podem pertencer a exemplares de grandes dimensões que depositam um elevado número de ovos. A chamada de atenção para o elevado número de espécies que pode ser avistada permitirá também alertar para a alteração de comportamentos quando se visitam praias rochosas. Os cuidados a ter para evitar o pisoteio ou para não reposicionar as rochas que poderão constiutir abrigos ou ninhos para muitos organismos é um dos temas que também podem ser debatidos.

Um exemplo de um ninho cheio de ovos de Gobius cobitis.
Gobius cobitis macho encontrado debaixo de uma rocha numa poça de maré.

Transectos e quadrados de amostragem

Muitos organismos da zona entre-marés não habitam ou são raros em poças. Os transectos realizados durante a baixa-mar, permitem amostrar uma área de grandes dimensões (25x2m). O transecto é percorrido e são assinalados macro-organismos móveis (p.e. crustáceos decápodes) bem como outros organismos, com uma distribuição por agregados (p.e. formações de um poliqueta colonial Sabellaria sp.), que dificilmente poderiam ser assinalados usando outros métodos de amostragem.

  • Com a ajuda dos alunos, a título de exemplo, de cada transecto é retirada a seguinte informação:
  • Categorização dos espécimens amostrados no seu nível mais geral: invertebrado ou macroalga; e Identificação até ao nível taxonómico possível;
  • Número de indivíduos amostrados;
  • Presença ou ausência de lixo marinho (com fotografia do material encontrado);
  • Tipo de habitat e respetiva extensão ao longo do transecto (submerso/emerso; areia/calhau rolado/plataforma rochosa)
Exemplo de substrato de areia.
Exemplo de substrato de calhau rolado.
Exemplo de substrato em plataforma rochosa.

Contudo esta metodologia apresenta algumas limitações. Alguns cnidários (p.e. Actinia sp.) e equinodermes (p.e. Paracentrotus lividus) atingem facilmente uma contagem na escala das centenas de indivíduos por transecto. Por outro lado alguns organismos passam inteiramente despercebidos numa área tão extensa. Por essa razão, a observação e quantificação deste tipo de organismos por unidade de área será feita recorrendo a quadrados de amostragem de 0.5x0.5m. Cada um destes quadrados de 0.5x0.5m está subdividido em 25 quadrículas idênticas.

 

De cada quadrado, das figuras em baixo, são retiradas as seguintes informações:

  • Categorização dos espécimens amostrados no seu nível mais geral: invertebrado ou macroalga e identificação até ao nível taxonómico possível;
  • Número de indivíduos e/ou presença/ausência em cada quadrícula;
  • Altura do canópio do estrato de algas em 3 pontos no quadrado de amostragem;
  • Tipo de habitat (submerso/emerso; areia/calhau rolado/plataforma rochosa);
  • Presença de lixo.
Quadrado de amostragem no patamar médio litoral. Nos pontos destacados a laranja foi medida a altura do tapete de algas.
Quadrado de amostragem no patamar supra-litoral.

Oficinas pedagógicas do Aquário Vasco da Gama: "a minha casa é o mundo inteiro"

É um dos mistérios mais antigos do mundo. Milhares de aves e de tartarugas marinhas percorrem distâncias inimagináveis, repetindo a mesma façanha todos os anos. Fazem-no com uma precisão de navegador experimentado. E por estranho que pareça não são as tempestades oceânicas ou os grandes predadores os seus maiores inimigos. São os resíduos urbanos que chegam ao mar todos os dias, produzidos por todos nós. Vamos dar a volta ao mundo e conhecer os pequenos grandes perigos que espreitam os nossos corajosos migradores.

 

 

Oficina pedagógica do Aquário Vasco da Gama.
Aquário Vasco da Gama: a minha casa é o mundo inteiro
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