FAQS

• Qual é a mensagem principal do projeto, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável?

Preservem ativamente o Oceano, o sistema básico de suporte de vida do Planeta Azul em que vivemos. Façam-no por esta geração e por todas as que se seguem, de todas as espécies com quem partilhamos aquele que é, até agora, o único local do universo onde sabemos que existe vida. É uma enorme responsabilidade que devemos assumir desde já!

• Qual é o conselho que deixam ao público em geral?

Nunca considerem que a contribuição que vão dar para um amanhã melhor é demasiado pequena. O Kids Dive começou como um batismo de mergulho e uma conversa com biólogos e cresceu por si. Hoje consideramo-lo uma das nossas contribuições mais relevantes para esse amanhã melhor a par das nossas atividades de investigação, porque o desenvolvimento tem que ser sustentado no conhecimento. Mas uma palhinha recusada, uma transição para um meio de transporte menos poluente, uma chamada de atenção para alguém que está a ter um comportamento errado numa área marinha protegida é uma contribuição válida e o princípio de um longo caminho para cada um de nós.

• Próximos passos?

Em 3 anos temos a noção de que o projeto Kids Dive conseguiu muito. Uma colaboração com a Autarquia de Cascais foi o pontapé de saída para este projeto. Seguiram-se outras Autarquias que se foram juntando. O projeto Fundo Azul (Min. do Mar) que ganhámos deu-nos dimensão nacional. Recentemente assumimos a primeira aventura internacional com um projeto EEA Grant que vai por alunos Noruegueses e alunos do Concelho de Sintra a trabalhar juntos. Finalmente acabámos de ganhar um projeto da National Geographic que nos vai ajudar a produzir conteúdos em vídeo VR 360˚ e não só para todas estas atividades. Até agora chegámos a cerca de 2000 alunos Portugueses. Onde iremos parar? Vamos ver… Mas nunca vamos perder de vista o principal que é simultaneamente o nosso mote: #vamossalvarooceano.

• O que querem efetivamente comunicar com o projeto? Quais os resultados mais relevantes que pretendem atingir com o projeto?

A resposta mais evidente é que pretendemos contribuir para a literacia do Oceano em conjunto com inúmeros outros projetos inovadores que têm surgido em Portugal e em todo o mundo. Queremos contribuir para despertar para a realidade que é o nosso bem estar presente depende da forma como soubermos mater o equilíbrio com o mundo natural que nos rodeia.

Mas o projeto Kids Dive tem uma particularidade que ainda não foi completamente explorada. Conforme referimos acima os nossos participantes são os alunos em abiente escolar. Isto é, turmas completas com os respetivos professores. Estes professores trabalham os conteúdos apresentados no Kids Dive em ambiente de sala de aula o que faz com que o Oceano seja um tópico presente ao longo de todo o ano, muito para além dos 4-5 dias de contacto com a equipa do Kids Dive.

Mas mais acima falamos de outro pilar: as Autarquias. Estamos a falar do envolvimento de um decisor que tem meios para atuar a outros níveis. E se os contactos entre Academia-Escolas-Autarquias puderem vir a contribuir para a criação de novas Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) ao longo da costa Portuguesa? Isso seria um sonho tornado realidade e iria para além de todas as expectativas iniciais do Kids Dive.

• Qual é o maior desafio deste projeto?

Há 2 grandes desafios para o Kids Dive. O primeiro é investir nas pessoas que fazem parte da equipa e que têm dado tudo pelo projeto. Ou seja, queremos que um projeto que fala de sustentabilidade seja ele próprio sustentável para que daqui a 10 anos continuemos a fazer o Kids Dive em Portugal.

O outro desafio é explicar a todos que este é um projeto educativo e não uma ocupação de tempos livres (OTL). Não estamos a desconsiderar os OTL’s e ficamos imensamente felizes por sermos contactados por tantos particulares que nos perguntam como podem inscrever os filhos no Kids Dive. Mas como investigadores universitários em primeiro lugar, temos que fazer opções.

E há uma razão para funcionarmos sempre com 3 pilares de suporte: 1) a Academia; 2) as Escolas; 3) as Autarquias locais. Com esta geometria envolvemos, em primeira linha, alunos e professores, em segunda linha, as escolas e a família e, em terceira linha, as autarquias e as decisões futuras por políticas mais sustentáveis. Acreditamos que esta interligação institucional poderá vir a revelar-se extremamente profícuo.

Mas estes são desafios de execução ou logísticos deste e de outros projetos com características semelhantes. O principal desafio do Kids Dive é ir além da transmissão de conhecimentos e conseguir alterar comportamentos. E quando o conseguirmos fazer vamos querer ir além disso e contribuir para gerações azuis cada vez mais exigentes e participativas. Assumimos que esta nossa ambição é muito grande, mas haverá outra forma de enfrentar os desafios que se perfilam à nossa frente?

• Qual é a característica mais diferenciadora deste projeto?

Alguns dirão que a característica diferenciadora deste projeto é o mergulho. A isto responderemos que isso é apenas a superfície. E nós queremos ir mais fundo…. O mergulho é a parte mais visível, o veículo que faz com que os participantes percebam que estamos ali para os ajudar a sair da sua zona de conforto e que podem confiar em nós. Um processo que normalmente demora tempo e que faz parte do nosso próprio crescimento como pessoas. Mas depois vem tudo o resto:

  • as atividades que fazem debaixo de água, que foram desenvolvidas exclusivamente pela nossa equipa, e que estão relacionadas com o que fazem depois nos workshops;
  • o trabalho com investigadores especialistas em diferentes áreas científicas: a biodiversidade, a conservação, os microplásticos. É informação permanentemente atualizada e em primeira mão;
  • o documentário vídeo que, depois de nomeados embaixadores do Oceano, têm a missão de mostrar e explicar a toda a escola (que não teve oportunidade de participar no Kids Dive);
  • ir além da biologia e da conservação, que é a nossa própria área de conforto, e mostrar a importância da tecnologia e a relevância que o Oceano vai ter num país com a projeção marinha que Portugal terá que assumir no futuro;
  • a constante autoavaliação das nossas atividades através de inquéritos de forma a melhorar este projeto de forma progressiva.
• De que forma vai este projeto ao encontro da Literacia do Oceano? E de que forma contribui para a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável da UNESCO (UNESCO Ocean Decade)?

A preservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável, mas também as alterações climáticas e a poluição marinha, são temas que estão presentes no nosso dia-a-dia como cientistas e como divulgadores de ciência. O projeto Kids Dive nasceu desta ambivalência entre o fascínio pelo Oceano e a urgência de minimizar o impacto das atividades humanas. A necessidade de definir prioridades e de para elas estabelecer um calendário definido é algo que está presente em todas as atividades deste projeto educativo.

• Como surgiu a ideia para este projeto? (será interessante?)

Como biólogo marinho comecei a mergulhar bastante tarde, já durante a minha licenciatura na Faculdade de Ciências de Lisboa. No entanto, isso faz com que tenha uma memória vívida do que senti quando espreitei pela primeira vez para debaixo de água. Ter uma garrafa de ar comprimido às costas dá-nos a liberdade de ficarmos independentes da superfície, pelo menos durante algum tempo. Isso permite-nos ver detalhes que de outra forma teríamos que ignorar. É como visitar outro planeta em que podemos deixar-nos deslizar na corrente, observar florestas ondulantes e animais com barbatanas ou tentáculos que parecem observar-nos da mesma forma que nós os observamos a eles. Mais tarde, a amizade com o José Tourais, uma das pessoas que me ensinou a mergulhar fez-me ver o outro lado: ao levar outras pessoas a mergulhar percebi que eu não era o único a ficar fascinado com aquelas paisagens marinhas. Daí até surgir o Kids Dive demorou “apenas” 3 anos, depois do contributo de muitas pessoas.

• Em que consiste o projeto? Qual é a ideia-chave e o público-alvo do projeto?

O projeto Kids Dive pretende dar a conhecer o meio marinho a crianças e jovens dos 8-17 anos. Na nossa opinião, a melhor forma de o fazer é contar algumas das histórias fascinantes dos seres que habitam neste mundo azul de uma forma inovadora: mostrar o que estes seres marinhos veem, ouvem, sentem, sabem e cheiram transportando todos os participantes para um ambiente subaquático através de um mergulho com escafandro autónomo. Não se pode proteger o que não se conhece e a melhor forma de contribuir para o conhecimento e a mudança de comportamentos é literalmente imergir todos os intervenientes em atividades práticas que incluem mergulho, workshops, saídas de campo e experiências com vídeos em realidade virtual (VR 360˚) na companhia de parceiros de fabulosos que incluem a National Geographic, o Oceanário e o Jardim Zoológico, entre muitos outros.

• Quem pode promover este programa?

Este programa é dirigido sobretudo a autarquias e escolas, mas também empresas, fundações e associações de cariz social.

• As entidades parceiras participam de facto neste programa?

Sim, a construção do programa como um todo foi realizada pelo MARE-ISPA, mas há monitores do Oceanário e do Jardim Zoológico que dirigem os workshops, intrutores de mergulho que acompanham as crianças e jovens nas atividades subaquáticas e responsáveis da National Geographic na organização do dia NG.

• Quais são os riscos do Kids-Dive para as crianças?

O mergulho em si é uma atividade que passou a estar ao alcance de todos há décadas. Existem normas internacionais que são cumpridas por este programa, chegando mesmo a ser ultrapassadas, como é o caso de fazermos questão de manter um rácio 1 instrutor/1 aluno. O mergulho em si não ultrapassa uma profundidade de 2m e as atividades subaquáticas dependem do à vontade que o aluno demonstra dentro de água. A escola de mergulho que implementa esta atividade tem todas as certificações e seguros necessários, tem uma vasta experiência em programas que envolvem crianças e possui o equipamento apropriado para as mesmas. De todas as atividades programadas o mergulho é seguramente uma das exigem mais cautelas mas se dúvidas persistirem os pais são muito bem vindos para assistir a todo o programa e para conversarem com os responsáveis.

• Quais são as mais-valias do Kids-Dive para as crianças?

Interagir com biólogos marinhos e perceber o que fazem no seu dia-a-dia, aprender conceitos relacionados com os perigos que ameaçam o meio marinho e compreender a importância da biodiversidade em workshops práticos, são enormes mais-valias porque “servem” o conhecimento de uma forma prática. Se a isso juntarmos um mergulho com atividades relacionadas com o que foi descrito antes, um vídeo para contar esta aventura mais tarde e ter oportunidade de ouvir uma figura de renome internacional podem ser fatores que mudam o rumo de uma vida. Se queremos gerações mais informadas e participativas acreditamos que é com este tipo de programas que se atingem esses objetivos.

• Quantos dias de atividade estão contemplados nesta proposta educativa?

Estão previstos um mínimo de 2 dias e um máximo de 5 dias de atividades dependendo dos objetivos da entidade promotora e das condições disponíveis. Para além dos 3 dias previstos no programa base, um dos responsáveis do Kids-Dive pode visitar a escola e explicar todo o programa aos intervenientes antes mesmo de se iniciarem as atividades. Depois deste programa, em condições excepcionais, poderá ainda haver espaço para mais um dia de atividades mas esse é um assunto que tem que ser previamente acordado com a organização do Kids-Dive.

Por outro lado, como os custos de transporte dos intervenientes e de aluguer de piscina são da responsabilidade da entidade promotora, esta poderá optar por restringir os mesmos ao dia de maior atividade (workshops e mergulho em piscina), abdicando da participação nos dias subsequentes.

• Faz sentido calcular o custo por aluno neste programa?

Não. Embora esses custos por aluno sejam disponibilizados pelos responsáveis do Kids-Dive, este é um programa de custo fixo. Quer isto dizer que o custo total é o mesmo independentemente do número de participantes. A razão para isto é simples: os recursos humanos (investigadores, monitores e instrutores) bem como a logística a deslocar é a mesma sejam 60 alunos ou menos. A razão para dimensionar este projeto para 60 participantes é a necessidade prática para muitas escolas de acomodar 2 turmas numa atividade extra-curricular.

• O que é que não está contemplado nos custos gerais apresentados?

O aluguer da piscina, o transporte dos participantes e eventuais refeições durante as atividades.

• Porque é que é importante promover este e outros projetos relacionados com a literacia dos Oceanos?
  • Porque “Portugal é Mar”, ou pelo menos as próximas gerações irão habituar-se a vê-lo assim, visto que corresponde a 97% do território nacional, sendo previsível que cada vez mais profissões venham a estar relacionadas com o mar;
  • Porque enquanto não compreendermos melhor as consequências das pressões que colocamos sobre a sustentabilidade do meio marinho não poderemos deixar um planeta melhor do que aquele que encontrámos às gerações vindouras;
  • Porque mesmo vivendo em terra e não tendo profissões ligadas ao mar não somos imunes às consequências das pressões impostas no meio marinho, nomeadamente às alterações climáticas e a perda de biodiversidade;
  • Porque sem afastarmos o véu representado pela superfície da água e literalmente mergulharmos no meio subaquático não compreendemos verdadeiramente como funciona e o que representa, por vezes mesmo à porta das nossas casas. Por outras palavras, é muito difícil fascinarmo-nos e protegermos ativamente algo que não conhecemos;
  • Porque as consequências de continuarmos a ter gerações de cidadãos desinteressados do conhecimento científico e alienados do saber e do potencial que advém do património mundial que é o Mar, são demasiado assustadoras para serem sequer concebíveis.
• Este projeto educativo implica custos para as entidades participantes (normalmente Autarquias e Escolas)?

Acreditarmos que as vantagens deste projeto educativo superam largamente os custos. Só no dia 1 de atividades, o Kids Dive envolve a deslocação de uma equipa com cerca de 10 pessoas, entre instrutores com equipamento de mergulho apropriado, monitores e investigadores do MARE-ISPA, Oceanário e Jardim Zoológico com a logística para os workshops e, finalmente, responsáveis pelo mini-documentário em vídeo.

Assim, existe uma verba a cobrar mas ela é reduzida ao preço de custo sem que existam intenções de realizar qualquer tipo de lucro com este projeto educativo. Este custo depende das opções consideradas fundamentais para os objetivos que cada promotor pretenda cumprir, pelo que sugerimos o agendamento de uma reunião para o esclarecimento de todas as dúvidas.

• Qual a limitação de grupos para uma entidade participante?

Serão 12 edições/ano para grupos com um máximo de 60 alunos/grupo. A nossa proposta base é de 60 alunos/entidade promotora mas não existem limitações por entidade pelo que uma poderá solicitar o agendamento de diversos grupos.

• As atividades propostas são para realizar em dias completos (manhã e tarde)?

O dia 1 de atividades (2 workshops + mergulho em piscina com atividades educativas) é um dia completo de atividades;

O dia 2 de atividades (dia National Geographic) pode ser um dia completo (todos os convidados internacionais) ou apenas metade de um dia (programa para escolas), podendo a entidade promotora optar por uma das alternativas;

O dia 3 de atividades (visita a uma área marinha costeira na companhia de investigadores em Biologia Marinha) envolve apenas uma manhã.

Nota: existem outras possibilidades que até podem envolver dias adicionais de atividades pelo que sugerimos o agendamento de uma eunião com os responsáveis do Kids Dive.

• Qual o local da realização deste projeto em cada dia de atividades?

Este projeto pretende chegar a todo o território nacional e, por essa razão, toda a equipa (aproximadamente 10 pessoas e respetiva logística para mergulhos e workshops) está preparada para se deslocar a qualquer local. Mas há dias de atividades que, pelas suas características, não é possível deslocar.

O dia 1 de atividades pode ser realizado em qualquer região numa piscina municipal a selecionar pela entidade promotora; o dia 2 é um local a designar pela organização da National Geographic Summit e que está sujeito a alterações de região/local do evento.

• Que critérios devo usar para selecionar as turmas/escolas que vão fazer o Kids Dive?

Este projeto pretende chegar a todos, independentemente do local onde estão e do estrato social a que pertencem. Este é um projeto de literacia dos Oceanos, que alerta para questões de cidadania e todos os intervenientes numa sociedade que se quer mais participativa deveriam poder experimentá-lo.

Existem vários critérios que podem ser usados de acordo com os objetivos de cada entidade promotora:

  • Realizar um concurso entre escolas/turmas para oferecer este prémio ao melhor trabalho relacionado com literacia/proteção dos Oceanos. Convidem os responsáveis deste projeto para fazer parte do júri do concurso;
  • Optar por oferecer este programa a escolas carenciadas da região, visto que estes alunos dificilmente terão acesso a este tipo de programas pelos seus próprios meios;
  • Premiar um/a professor/a ou escola particularmente ativos em questões ambientais, permitindo-lhe escolher as turmas que considera que iriam tirar mais rendimento de um programa educativo do tipo do Kids Dive

Estas são algumas idéias de partida mas haverá muitos outros critérios que podem ser usados. Lembre-se sempre que pretendemos continuar a implementar este programa por muitos anos, pelo que quem não vier este ano vem no próximo…!

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